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Uma entrevista com Craig Robins, o idealizador do Design District o novo polo de moda de Miami.

 Craig Robins 

Craig Robins 

Há 20 anos, ele foi o responsável pela renovação de Miami Beach e do desenvolvimento da Lincoln Road.  Hoje, Craig Robins está encabeçando a transformação do Design District no maior centro de moda de Miami. 

Às vésperas da semana de arte, ele fala pela primeira vez das suas inspirações para o Design District e de como a moda passou a ser uma parte tão importante do projeto. 

AF:  O que fez você ver esse potencial artístico e cultural no Design District?

CR: Após alguns anos trabalhando com a revitalização de Miami Beach, quando terminamos de estabelecer a Lincoln Road como polo comercial, notei que a continuação natural para a expansão geográfica de Miami Beach era a área do Design District.   A área é muito central em Miami e já tinha um histórico para o comércio de decoração que estava em decadência na época.  Sempre achei que Miami precisava de um laboratório criativo e vi no Design District um área grande o suficiente para estabelecer um projeto significativo e, ao mesmo tempo, pequeno o bastante para ser uma área coesa e impactante.

AF: Moda esteve sempre nos seus planos para o Design District?

CR: Depois de estabelecer com sucesso o mercado de decoração na área eu comecei a fazer colaborações com galerias de arte para ajudar a definir o DD como um polo cultural.  Logo em seguida, restaurantes começaram a despontar na área e eu entendi que moda seria um excelente complemento para tornar o bairro ainda mais atrativo.  


AF: Quanto tempo levou para adquirir todas as propriedades e fechar as parcerias que hoje tornaram o projeto do DD possível?

CR: 10 anos atrás começamos a atrair algumas grandes marcas de luxo como a Christian Louboutin, Martin Margiela e Marni mas, apenas no final de 2010, quando formei a parceria com um fundo cujo acionista minoritário é o grupo LVMH, é que fizemos a maior parte das aquisições.  Com as marcas do grupo LVMH interessadas em vir para o bairro, eu sabia que o projeto iria ganhar força.  A junção de arte, design, moda e culinária iria tornar o DD um dos polos mais dinâmicos e o centro mais importante de moda em Miami. 


AF:  Miami é uma cidade com uma grande cultura de shopping centers.  O que o Design District vai trazer de relevante para atrair o público?

CR: Os shopping centers são muito convenientes mas não tem o charme e personalidade dos grandes centros de compras ao ar livre como a Rodeo Drive em Los Angeles  e a Quinta Avenida em Nova York.  O Design District será nosso polo de moda ao ar livre em Miami.  No entanto, teremos mais do que moda no Design District.  Vamos oferecer uma conjunto cultural onde o público vai estar exposto à instalações de arte e belíssima arquitetura.   Além disso, o espaço aberto está possibilitando com que as grandes marcas construam suas “flagships”, que são lojas onde todo o ambiente, decoração e elementos promovem uma representação maior da cultura da marca - portanto, oferecendo uma experiência mais completa ao consumidor.

AF: Quais são as próximas etapas no projeto e quando você acredita que o Design District se tornará o maior centro de moda de Miami?

CR: O projeto está bem encaminhado.  Agora temos por volta de 60 marcas com lojas abertas ou em construção.  Em um intervalo de mais 6 meses teremos mais 60 marcas se estabelecendo na área e também o início de obras para um hotel e algumas unidades residenciais.  Acredito que já temos um fluxo significativo nas ruas do Design District e esse irá crescer ainda mais até 1 de Março de 2015, quando teremos várias novas lojas abrindo suas portas.  


 

 

 

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E viva ao Art Basel!

Por uma semana em dezembro, Miami vira o centro do mundo das artes.  É a Semana de Arte de Miami (mais conhecida como Art Basel), onde várias feiras de arte inundam a cidade, trazendo milhões de visitantes e uma atmosfera elétrica.

Apesar dos inúmeros eventos dedicados também à moda e música, arte é mesmo o foco da semana.  Para facilitar, segue um resumo das principais feiras de arte da semana, que estarão abertas até o domingo, dia 7 de dezembro.

A Art Basel, em si, ainda é considerada a maior e mais importante feira  da Semana de Arte.  Localizada no Centro de Convenções em Miami Beach, é visita obrigatória.  Ela conta com as maiores e mais famosas galerias do mundo e traz o que existe de melhor nas artes.  Ingressos à venda no site da feira www.artbasel.com.

A Design Miami é a segunda maior feira, sendo esta especializada em design de móveis e arquitetura.   O Design Miami foi criado há 10 anos por Craig Robins em parceria com os organizadores do Art Basel para expandir o alcance da Semana de Arte e solidificar o evento no calendário de Miami.  O Design Miami tem seu pavilhão montado em frente ao Centro de Convenções e os ingressos estão à venda no site da feira www.designmiami.com.

Além das duas principais feiras, várias feiras-satélite ocorrem ao mesmo tempo em locais diferentes da cidade.  Vale visitar:

-       A Aqua Art Fair, uma excelente mostra de novos talentos com 46 jovens galerias participantes.  Info no site www.aquaartmiami.com

-       A Concept, onde se pode ver pinturas, esculturas e instalações de obras consideradas “blue chip” de mais de 80 galerias do mundo.  Talvez a maior atração esse ano seja a locação da feira que vai ocorrer em um multimilionário iate ancorado na frente do Bayfront Park. Info no site www.concept-fair.com.

-       A Context, dedicada ao desenvolvimento de artistas já estabelecidos, é uma das mais visitadas feiras durante a Semana de Arte.  Info no site www.contextartmiami.com.

-       A Ink Miami é uma das maiores mostras dedicadas à pintura, onde os trabalhos são selecionados dentre os maiores pintores internacionais da atualidade.  Info no site www.inkartfair.com.

-       A Miami Project busca juntar trabalhos de artistas historicamente celebrados com trabalhos de artistas contemporâneos.  Info no site www.miamiproject.com

-       A NADA Art Fair oferece uma amostra de tudo que acontece de novo no mundo das artes.  Info no site www.newartdealers.org 

-       A Pulse Miami mistura artistas emergentes com artistas renomados.  Info no site www.pulse-art.com.

-       A Red Dot Art Fair é uma das mais diversas feiras, com mais de 60 galerias mostrando trabalhos de fotografia, pintura e esculturas.  Info no site www.reddotartfair.com.

-       A Scope Miami é bem diversa e, além de arte, inclui apresentações de musica, instalações de design e moda.  Info no site www.scope-art.com.

Além das feiras, os grandes Museus da cidade (PAMM, MOCA, Bass Museum, Institute of Comtemporary Art, etc.) não ficam para trás e prepararam seleções de mostras especialmente para a Semana de Arte.  Vale a visita.  Bom Basel para vocês!

 

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Nem de Marte nem de Vênus

Os desfiles das coleções masculinas do verão 2015 estão em pleno andamento essa semana.  Quem parou para dar uma olhada pode ter percebido que, com o recente "flirt" da moda feminina com a alfaiataria masculina, algumas peças poderão ser cobiçadas também pelas mulheres, como o conjunto de calça e sweater da Alexander McQueen, que não estaria deslocado no desfile feminino da coleção de inverno 2014 de Victoria Beckham, por exemplo (fotos 1-2).  

Nada novo em pegar emprestado algumas peças do guarda-roupa do namorado ou em comprar uma camiseta na seção masculina.  Este troca-troca é responsável por peças que já se tornaram clássicos da moda feminina, como o "tuxedo" e o terninho.  A novidade está em peças que não mais precisam de adaptação e passeiam entre o guarda-roupa feminino ou masculino sem diferença de corte ou tamanho.  Este, sim, é o sinal de um novo tempo.  Antes, o unissex na moda se resumia às "t-shirts" que, mesmo assim, vestiam melhor quando feitas sob medida para corpos de homens e mulheres.  

O conceito de uma moda assexuada está sendo bem recebido pelos buyers das principais lojas e boutiques dos Estados Unidos através da coleção da Baja East, marca de “luxury loungewear” americana criada pela dupla Soctt Studenberg e John Targon.  A marca, criada ano passado, já está à venda nas badaladas prateleiras da Barneys, na Jeffrey, na Webster e na Kirna Zabête.  A ideia de uma moda unissex surgiu graças a uma peça que Studenberg criou para si mesmo e que era cobiçada por homens e mulheres.   Tops, calças, casacos e bermudas com caimento bem soltinho e tecidos luxuosos ficaram atraentes tanto na modelo quanto no modelo masculino (fotos 3 -6). 

Por tempos dividimos roupas com nossas mães, irmãs e amigas.  Chegou a hora de dividir com maridos e namorados, e viva ao closet assexuado! 

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Sobre designers sem rosto e sem nome

A marca  francesa “Vetements”, que significa roupa em francês, lançou sua primeira coleção no ano passado em Paris.  A marca foi criada por um grupo multicultural de “designers” que têm em comum uma passagem por grandes casas como Maison Martin Margiela, Balenciaga e Céline.   Nas palavras dos “designers” para o Style.com, eles desejam “permanecer anônimos e deixar que o foco da “Vetements” seja sempre as roupas”, seguindo assim os passos de seu mentor, o designer belga Martin Margiela - um dos pais do desconstrutivismo na moda.   Margiela sempre fugiu do estrelato mesmo quando sua marca ganhou fama mundial, até a venda desta para o Grupo Diesel do Italiano Renzo Rosso, quando Margiela se afastou definitivamente da direção criativa da sua Maison e se distanciou ainda mais dos holofotes.  O seu rosto é desconhecido do grande público até hoje.   

Num momento em que a “logomania” ensaia uma volta e os designers, editores de moda e fotógrafos saíram do “backstage” para se tornarem figuras centrais no discurso da moda, a posição de anonimato dos designers da “Vetements” traz à tona uma reflexão sobre o quanto toda a superexposição que vivemos hoje é benéfica à moda.  A moda era mais interessante quando não sabíamos o que acontecia no “backstage”?

Nessa atualidade onde tudo é compartilhado, dividido e explicado, o silêncio de um “designer” devolve um certo mistério à moda e resume o ponto de vista do criador ao produto de seu trabalho (por assim dizer, a vestimenta), sem grandes explicações sobre suas inspirações ou processo criativo.  Cabe aos editores, “stylists”, blogueiras e ao publico em geral a outra parte do processo criativo ao adicionarem suas interpretações sobre aquela coleção, seu significado e como esta será usada.  Mais divertido, não?

Fotos: Matthieu Lemaire-Courapied e NY Times 

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