Sobre designers sem rosto e sem nome

A marca  francesa “Vetements”, que significa roupa em francês, lançou sua primeira coleção no ano passado em Paris.  A marca foi criada por um grupo multicultural de “designers” que têm em comum uma passagem por grandes casas como Maison Martin Margiela, Balenciaga e Céline.   Nas palavras dos “designers” para o Style.com, eles desejam “permanecer anônimos e deixar que o foco da “Vetements” seja sempre as roupas”, seguindo assim os passos de seu mentor, o designer belga Martin Margiela - um dos pais do desconstrutivismo na moda.   Margiela sempre fugiu do estrelato mesmo quando sua marca ganhou fama mundial, até a venda desta para o Grupo Diesel do Italiano Renzo Rosso, quando Margiela se afastou definitivamente da direção criativa da sua Maison e se distanciou ainda mais dos holofotes.  O seu rosto é desconhecido do grande público até hoje.   

Num momento em que a “logomania” ensaia uma volta e os designers, editores de moda e fotógrafos saíram do “backstage” para se tornarem figuras centrais no discurso da moda, a posição de anonimato dos designers da “Vetements” traz à tona uma reflexão sobre o quanto toda a superexposição que vivemos hoje é benéfica à moda.  A moda era mais interessante quando não sabíamos o que acontecia no “backstage”?

Nessa atualidade onde tudo é compartilhado, dividido e explicado, o silêncio de um “designer” devolve um certo mistério à moda e resume o ponto de vista do criador ao produto de seu trabalho (por assim dizer, a vestimenta), sem grandes explicações sobre suas inspirações ou processo criativo.  Cabe aos editores, “stylists”, blogueiras e ao publico em geral a outra parte do processo criativo ao adicionarem suas interpretações sobre aquela coleção, seu significado e como esta será usada.  Mais divertido, não?

Fotos: Matthieu Lemaire-Courapied e NY Times 

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